Ouça o Seu Coração

16/02 /2021

Ouça o Seu Coração

Parece uma bobagem ou um texto simplório de autoajuda, começar com essa frase tão batida. Mas preciso te chamar atenção para um ponto: ouvir seu coração nunca foi tão importante. Física e metaforicamente. 


Metaforicamente, me parece óbvio. E em um momento em que somos forçados a pensar na vida, pelo menos em algum nível, estamos abrindo espaço também para “ouvir nosso coração” e perceber que, a vida sendo tão frágil, não há sentido algum em escolher caminhos que não nos façam bem, sejam eles pessoais ou profissionais. Já ouviu o seu? Muitas vezes sua voz é tão baixinha (culpa nossa) que ele precisa nos mostrar através da tristeza “sem motivo”, daquela dorzinha que aparece todos os dias, ou tantos  outros incômodos que achamos “normal”, até porque “todo mundo sente isso”. 


“a vida sendo tão frágil, não há sentido algum em escolher caminhos que não nos façam bem, sejam eles pessoais ou profissionais.“


Não é normal estarmos incomodados. O incômodo é sinal de que algo não vai bem. Nosso corpo e nossa mente são tão sábios, que nos enviam todos os sinais. Precisamos aprender a olhar de forma mais sutil pra eles. O normal é vivermos em harmonia com nossas escolhas, estarmos satisfeitos com o que fazemos dos nossos dias. Ou pelo menos deveria ser! 


Aí chegamos no físico. Ouvimos e dizemos, muitas vezes em datas comemorativas, que o importante mesmo é ter saúde. Mas quais escolhas estamos fazendo em prol da saúde? Será que não valorizamos apenas quando nós damos conta de que algo não vai bem? 


Vou te contar algo pessoal, que espero te ajudar a pensar a respeito. Há cerca de um ano, me sentia cansada, “mais do que o normal”, mas afinal era final de ano e tinha sido um ano difícil. Passado o final do ano, pré pandemia, o cansaço continuava e resolvi ouvir os sinais. A pneumologista disse, após uma tomografia e vários exames, que não tinha nada. E recomendou um cardiologista. Eu, me achando jovem e saudável o suficiente pra duvidar, fui assim mesmo, porque ouvi os sinais. Depois de inúmeros exames, achamos arritmias severas, e muitas orientações de mudança. A restrição do café, do chimarrão, do álcool e do chá, dos exercícios, nada parecia mudar o quadro. Como nunca percebi? Será que este problema já estava por aí há quanto tempo, a ponto de fazer meu coração quase dilatar? Honestamente, só fico feliz de ter ouvido a tempo. 


Seis meses depois, duas ablações em menos de quatro meses, já brinco com o assunto, reproduzindo uma piada do meu médico, que quando perguntei se este era um problema para outros procedimentos, ele me responde que meu caso não é de “encanamento” (coronárias) mas de “fiação” (arritmias). Brinco, mas não esqueço. Brinco, mas não sem medo. Um medo suficiente pra ficar atenta e ouvir sinais, se eles aparecerem. Sabe aquela história de não querer passar por isso de novo? Exatamente. 


Por quê escrevo tudo isso? Porque se ao menos uma pessoa ficar mais atenta a seus sinais, eu já fico feliz. Meu trabalho é e sempre foi fazer com que as pessoas prestem mais atenção em si mesmas para que encontrem como entregar o seu melhor para a sociedade, para a vida. Só estou sugerindo que você faça isso, também, literalmente. Você vale muito para se desperdiçar com escolhas que não fazem sentido. Você vale muito para se desperdiçar e não cuidar de si em primeiro lugar. Ouça os sinais. Ouça seu coração.